Principais conclusões
- É possível desenvolver uma cultura de performance sem abrir mão dos valores humanizados que definem a identidade de uma instituição de saúde.
- Pesquisas de escuta revelaram forte orgulho de pertencimento, mas também uma tensão real: profissionais sentiam falta de reconhecimento e espaços de cuidado voltados para quem cuida.
- A construção de comportamentos observáveis a partir de direcionadores estratégicos é um caminho concreto para tornar cultura aplicável ao cotidiano.
- Formar Guardiões de Cultura amplia o protagonismo das lideranças e distribui a responsabilidade pela transformação cultural pela organização.
- Reconhecimento não é um benefício secundário: criar mecanismos para valorizar contribuições fortalece vínculos e sustenta o desempenho organizacional a longo prazo.
O dilema
A Beneficência Portuguesa de São Paulo é uma das instituições de saúde mais tradicionais do país. Ao longo de sua história, construiu uma reputação fortemente associada ao cuidado humano, à excelência assistencial e ao compromisso com pacientes e comunidades.
Entretanto, as transformações do mercado de saúde exigiram que organizações do setor ampliassem sua capacidade de gestão, sustentabilidade financeira e eficiência operacional. Em um contexto de crescente competitividade, a BP precisava fortalecer uma cultura orientada à performance sem abrir mão de sua essência humanizada.
O desafio era equilibrar duas forças igualmente importantes: preservar os valores que sempre caracterizaram a instituição e, ao mesmo tempo, desenvolver uma organização preparada para os desafios de um mercado cada vez mais complexo e dinâmico.
O que ouvimos
As pesquisas realizadas ao longo do projeto revelaram um forte orgulho de pertencimento. Os valores da BP eram amplamente reconhecidos e admirados pelos colaboradores, reforçando a percepção de uma instituição comprometida com o cuidado e com seu propósito.
Ao mesmo tempo, emergiu uma tensão importante. A intensidade das transformações, somada ao ritmo acelerado das operações e das mudanças organizacionais, gerava impactos na experiência dos profissionais. Em uma instituição permanentemente em movimento, muitas pessoas sentiam dificuldade em perceber reconhecimento, desenvolvimento e espaços de cuidado voltados para quem cuida.
A partir dessa escuta, tornou-se evidente a necessidade de fortalecer a experiência do colaborador, criando condições para que a evolução da organização acontecesse de forma sustentável para o negócio e para as pessoas.
O que construímos
Ao longo de uma jornada de três anos, entre 2022 e 2025, desenvolvemos um programa integrado de cultura e experiência do colaborador.
O trabalho começou com um diagnóstico aprofundado da jornada das pessoas, identificando oportunidades desde a atração e seleção até os processos de desenvolvimento, reconhecimento e desligamento.
Com base nessa compreensão, redesenhamos a jornada do colaborador, estruturamos uma proposta de valor ao empregado (EVP), desenvolvemos personas para públicos críticos da organização e modelamos a jornada do candidato para fortalecer a atração de talentos.
Paralelamente, construímos uma nova Matriz de Cultura, traduzindo os direcionadores estratégicos da instituição em comportamentos observáveis e aplicáveis ao dia a dia. Para sustentar essa transformação, formamos um grupo de Guardiões de Cultura responsável por disseminar conceitos, fortalecer a comunicação e ampliar o protagonismo das lideranças.
O projeto também deu origem a uma incubadora voltada ao desenvolvimento de uma cultura de reconhecimento, criando mecanismos para valorizar contribuições, potencializar talentos e fortalecer vínculos entre pessoas e organização.
O que cultivou
O programa contribuiu para consolidar uma cultura mais preparada para os desafios do futuro, sem perder os atributos que fizeram da BP uma referência nacional em saúde.
A instituição fortaleceu sua capacidade de atrair, desenvolver e engajar talentos, ampliando a conexão entre propósito, experiência do colaborador e desempenho organizacional.
Os avanços culturais passaram a sustentar uma organização mais competitiva, reconhecida por sua evolução contínua, por resultados consistentes e pela presença crescente em rankings e indicadores de mercado.
Mais do que novos processos ou programas, o projeto ajudou a consolidar uma convicção essencial: para cuidar bem das pessoas que chegam à BP todos os dias, é preciso cuidar também de quem dedica sua vida a esse propósito.
O que mudou
- A instituição consolidou uma cultura mais preparada para os desafios do futuro sem perder os atributos que a tornaram referência nacional em saúde.
- A BP fortaleceu sua capacidade de atrair, desenvolver e engajar talentos, ampliando a conexão entre propósito, experiência do colaborador e desempenho organizacional.
- Os avanços culturais passaram a sustentar uma organização mais competitiva, reconhecida por evolução contínua e por resultados consistentes.
- A presença crescente em rankings e indicadores de mercado refletiu os efeitos práticos da transformação cultural conduzida ao longo do projeto.
Perguntas frequentes
- Quanto tempo durou o projeto na Beneficência Portuguesa?
- O projeto teve duração de três anos, entre 2022 e 2025.
- O que é um Guardião de Cultura e qual foi seu papel no projeto?
- Os Guardiões de Cultura formaram um grupo interno responsável por disseminar os conceitos da nova Matriz de Cultura, fortalecer a comunicação e ampliar o protagonismo das lideranças no processo de transformação.
- Por que a BP precisava mudar sua cultura se já era reconhecida pela excelência no cuidado?
- As transformações do mercado de saúde exigiram maior eficiência operacional e sustentabilidade financeira. O desafio era desenvolver uma cultura orientada à performance sem perder os valores humanizados que sempre caracterizaram a instituição.
- O que é EVP e como foi utilizado nesse projeto?
- EVP, ou proposta de valor ao empregado, é o conjunto de atributos que uma organização oferece às suas pessoas. No projeto da BP, ele foi estruturado com base no diagnóstico da jornada do colaborador para fortalecer a atração e a retenção de talentos.
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